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Baixe o episódio ou ouça por streaming no player abaixo:. O que penso era novidade para a família foi o fato de eu ter vivido alguns anos em Israel, como expliquei em res- posta à pergunta de Sapinho, relatando os lugares por onde morei. Na primeira vez ela fazia os cabelos de Tina, como descrevi no começo deste capítulo, tarde que corresponde a um momento mais ini- cial da pesquisa de campo. Edgar era o mais exaltado de todos, enquanto Mr. Voyage in now to see your channels and recommendations. Ela, em especial, possui um ar levemente desafiador. Muito louco! Um anda bonito, o outro elegante Eu sou charmeiro ando social Camisa abotoada num tremendo visual sinalizavam um estilo emergente no baile, composto pela calça jeans ampla e por camisa pólo listrada. Daniel Miller, meu supervisor na University College London UCL , foi desde sempre um grande entusiasta e incentivador de meu tema de pesquisa. Para esta roda marota chamei os camaradas Will e Léo , representando o UmDois , que é simplesmente o maior canal brasileiro da internet sobre maconha. Finalmente o show foi iniciado, seguindo seu andamento costumeiro. Catra é bastante permeada por sua vida profissional. O aspecto político é peça fundamental para se compreender Mr. Taninha mistura três diferentes tonalidades de cabelos na cabeça de Thamara. Subimos todos para os camarins, onde esperamos um pouco. Continuamos nos deslocando a caminho do show. Mas se a cattra que assume Mr.

Mr Catra. Oh oh oh,oh oh cadê o isqueiro? Demorô forma o bonde dos maconheiro! (2x). Que doidera me deu a louca, Vou abrir a boca e falar do preconceito. Mr. Catra. Oh oh oh, oh oh cadê o isqueiro? Demorou forma o bonde dos maconheiro. Que doidera me deu a louca. Vou abrir a boca e falar do preconceito. Clique agora para baixar e ouvir grátis Mr. Catra - CD As Melhores () postado por Taciano Soares em 13/05/, e que já está com. Ouça 03 mr catra feat snoop dog maconha djtony de dj tony no Palco MP3, o site da novíssima música brasileira!. Cadê o Isqueiro - Mr. Catra música para ouvir e letra no Kboing.

A abordagem teórica do universo criativo funk proposta por Mylene Mizrahi é inovadora e equivoca o leitor, como o faz seu interlocutor pri- vilegiado, Mr. Se Catra debocha, Mizrahi apresenta uma seriedade e desenvoltura teórica raramente encontra- das em trabalhos deste gênero.

O contraste surrealista no sentido do efeito cognitivo e estético procurado que resulta do encontro destas duas estratégias complementares de antropologia reversa me parece ser o ponto forte e desafiador deste trabalho. O efeito estético da festa consiste muito mais em sugerir, provocar e encenar do que mostrar.

Daniel Miller, meu supervisor na University College London UCL , foi desde sempre um grande entusiasta e incentivador de meu tema de pesquisa. Sua leitura sagaz de meu material somou definitivamente aos resultados a que cheguei. Recebi o dom de poder contar com a extrema generosidade, con- fiança e amizade de Wagner Domingues da Costa e Sílvia Regina Alves, o casal Catra. Tive ainda duas grandes parceiras no campo: Cíntia e Thamyris, respectivamente comadre e filha do casal Catra.

A elas duas e a Geraldo dedico meu amor e este livro. O Funk Carioca é um ritmo musical derivado do soul norte-ameri- cano Vianna, , que chegou ao Rio de Janeiro na década de Foi nesse contexto que o encontro com Mr. Considerei aquela uma boa entrada para o tema e o procurei.

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O que meus dados iniciais mostravam é que o funk era produto do encontro. Decidi perseguir esta hipótese. É dessa perspectiva, desse dinamismo que vemos nas buscas que o artista empreende, que afirmo que mais do que as limitações ao movimento interessou-me explorar seu viés expansivo e criativo.

O estudo da estética funk, como proponho, envolve dois aspectos. O segundo aspecto envolvido consiste em tomar o estudo da estética como relativo à forma, esteja ela no corpo, nas roupas, nos cabelos, nas métricas e nos ritmos musicais. As suas qualidades formais nos interessaram na medida em que nos ajudam a elucidar a lógica estilística.

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O trabalho de campo ocorreu entre o mês de maio de e trinta de dezembro de , data em que precisou ser interrompido para que no dia seguinte eu me ausentasse do país de modo a realizar doutorado sanduíche no exterior, e foi complementado por incursões menos fre- quentes, feitas após o meu retorno.

A pesquisa empírica foi recortada em três planos diferenciados. Catra e outros profissionais do funk, como DJs e MCs. Os nomes originais dos perso- nagens foram em grande parte mantidos. Contudo, alguns deles foram alterados de modo a proteger suas identidades. O capítulo 1 resulta das primeiras incursões com o cantor Mr. Através de uma etnografia da noite e das performances 6 Ver Facina Catra grava suas produções bem como as de outros artistas.

No capítulo 4 jogaremos o foco mais propriamente sobre o artista Mr. Se naquele vimos como os objetos podem ter seus sentidos manipulados, neste o argumento versa sobre a imprevisibilidade dos eventos e efeitos que eles podem produzir. Alfred Gell, , p. Catra de modo a cumprir sua atribulada agenda profissional. Catra de sua casa, em Vargem Grande, Zona Oeste da cidade. Fred diz que só falta eles, os milicianos, traficarem, e Mr. É quase veado.

Sabe como é? A equipe deste, por sua vez, acompanhou a turnê do Bonde dos Magrinhos, que resultou em quatro shows. Nas noites em que acompanhei Mr. No pulso direito, o artista traz um relógio e muitas pulseiras.

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Algumas em metal dourado e outras formadas por contas que, como pequenos terços, reproduzem o mesmo olho protetor. É uma noite fria. Catra veste uma larga calça jeans e uma blusa de mangas longas em meia malha branca, estampada com dizeres em preto. As roupas usadas por Mr. A Manos tradicionalmente patrocina artistas de hip-hop, e Mr. Continuamos nos deslocando a caminho do show.

Com frequência vemos templos evangélicos e eventualmente igrejas católicas. Foi ali que Mr. Deixou o lugar depois que o prefeito lhe deu um prazo de setenta e duas horas para que dali se retirasse. E ele ri. Entramos no baile. O espaço é amplo e parece recém-construído. Todo o ambiente tem aspecto novo e limpo. O raio laser desce do centro do teto e reproduz sobre o piso e as paredes bonitas e coloridas mandalas de luz.

Catra sobe ao palco, mas logo o microfone apresenta defeito. O cantor profere a primeira frase, enquanto a audiência, em res- posta, repete a segunda. Fez-se silêncio. Passamos por um entroncamento de vielas. Nesse sentido, a escrita expressa mais um modo de, através da forma, de sua grafia, se opor a uma norma oficial, a que rege a língua culta. O próprio Mr. Catra rea- liza o segundo show da noite, que ocorre de modo usual. Ô, ô, ô, ô, ô Cadê o isqueiro?

Ao descer do palco, Mr. Traja calça jeans clara, justa e de cumprimento acima do tornozelo, e em seus pés traz tamancos de salto alto. Tenta encontrar um modo de falar com a moça, que ignora-o, ou parece fazê-lo.

Nem o olha. O tom de sua voz é como o de alguém que sente dor. No caminho Mr. Catra e Fred con- versam sobre um amigo comum que recentemente passou a fazer parte do movimento Hare Krishna. Comentam sobre um amigo policial, que deixou o bairro da Tijuca, na Zona Norte da cidade, pra trabalhar em Nova Iguaçu.

Chegamos ao Olimpo e antes de Mr. De acordo com Mr. Após o show, deixamos a Baixada Fluminense, com destino à Zona Oeste da cidade.

O grupo, de modo geral, parece preocupado. Catra e Fred voltam a falar sobre as milícias. Trafegamos ao longo do muro do presídio e Mr. Alguém reage, argumentando lhe parecer um despropósito encontrar harmonia estética na entrada de um presí- dio.

Um ambiente leve e kitsch, tomado pelos jovens que por ali circulam. Descemos do carro, mas a noiva do DJ prefere ficar. Nesse momento Ruan, amigo de Mr. Catra e morador de uma favela na Zona Norte da cidade, se aproxima de mim, perguntando-me o que eu gostaria de fazer. Catra, Edgar e Sabrina.

Catra canta nova- mente da mesa de som. Um som de trombetas invade o espaço, acompanhado do ruído do galope de cavalos, produzidos eletronicamente pelo sampler do DJ.

TRETA Talks #48 – Cadê o isqueiro?

Ah… Vem! Oh, vem, vem, vem Vem, vem, vem Vem, vem, vem Oh, vem, vem, vem Para! Ha ha ha! Vem, vem, vem nhanha Vem, vem, vem Vem, vem, vem Com tudo dentro, hein? Vem, vem, vem Ah Vem, vem, vem Ahhhhh Ai eu quero namoro Quero compromisso Quero casamen Vem, vem, vem nhanha Vem, vem, vem Vem, vem, vem Pode vir Quanto a Ruan, este esteve ao meu lado todo o tempo, parecendo zelar por meu bem-estar.

De volta ao carro, surgem novos desentendimentos. O debate agora gira em torno do rumo a ser tomado. Para qual casa de show segui- remos? Por que eu tenho esses problemas, Senhor? Em seguida é a vez de um dos seguranças reclamar de um rapaz de faixa vermelha na cabeça, duvidando de sua masculinidade. Subimos todos para os camarins, onde esperamos um pouco.

Aumenta, aumenta o som. Finalmente o show foi iniciado, seguindo seu andamento costumeiro. Silvana e seus amigos relaxam em um dos camarins, com as portas abertas. E ele continua: Caôzada que quero dizer é mutretagem. Eu sou homem, tu é mulher. A gente é o que a natureza deu pra gente. Caôzada porque se eu encontro um à noite, de maquiagem, enchimento no peito A abertura do show me parece incomum.

Edgar, o DJ, reproduz extensamente através de sua MPC o altíssimo som de uma rajada de metralhadoras. Você tem que respeitar pra ser respeitado. Porque ninguém é melhor do que ninguém. Quem é humilde aí? O funk, como vi desde o início, é sim bom para pensar, e Mr. Uma vez encer- rada esta etapa de minha pesquisa, formulei meu projeto de doutorado tendo por base a ideia de conectar a esfera da festa à vida cotidiana de seus frequentadores. Uma possibilidade que imediatamente se interpôs foi a de me concentrar em uma favela, ambiente no qual residia a maio- ria dos jovens que frequentavam o baile onde anteriormente investiguei.

A estrutura de contrastes revelara-se pouco flexível para abrigar as ambiguidades que a materialidade dos objetos trouxera à tona.

Contatos entre superfícies têm propriedades muito independentes dos materiais envolvidos. A aspereza [bumpiness] em todas as escalas impede isso Em uma escala reduzida, choques irregulares falham em coincidir10 Gleick, p.

Eu evoquei a imagem do ciborgue Strathern, [], p. Latour expõe seu argumento ao dis- secar a rede articulada pelos distintos domínios que percorre o repórter de um caderno de economia para escrever um artigo corriqueiro e nos informar sobre um assunto específico e cotidiano. Mas se os deslocamentos de Mr.

Ao analisar o volt sorcery, Gell , p. Através das exuviae que libera de seu corpo, o artista, o sacerdote ou o político influente distribui sua agência, deixando traços e produzindo efeitos, ao mesmo tempo em que se alimenta das partes dos mundos pelos quais passa.

Diferentemente, tratamos de uma modernidade que permite escapar ao pensamento dual e na qual a pessoa individual manifesta a todo momento a sua dependência dos outros. A partibilidade de Catra permite-lhe romper com os limites espaço-temporais impostos ao corpo físico e realizar o ideal funkeiro de estar em muitos lugares simultaneamente.

Catra é o nome artístico de Wagner Domingues da Costa, e é por seu primeiro nome que ele é tratado no ambiente doméstico. O artista, um homem com pouco mais de 40 anos, dono de uma voz grave e rouca, reveladora de doçura, é uma figura com- plexa. Estes traços, associados ao estilo de vida singular, concederam a Mr.

Catra um conhe- cimento fino da espacialidade carioca e de sua dinâmica cultural. A riqueza de Mr. Catra reside precisamente em sua complexidade. Em alguns momentos os contrastes parecem se firmar, em outros eles parecem dis- solvidos e em outros ainda parecem fora do lugar.

Foi ao seguir Mr. Catra que tornou-se possível a mim evitar o uso de termos como centro, perife- ria e margem, frequentemente utilizadas nas descrições do mundo funk. Estes diferentes mundos pelos quais transita e as relações que trava com estes e aqueles que os habitam compõem o seu self. Ao percorrer o Rio com Mr.

Esta lógica oposicional conti- nua a informar estudos acadêmicos sobre a dinâmica das cidades brasi- leiras. Em suma, por motivos de preferências e escolhas. Uma aderência que conecta, ainda que parcialmente. Logo Edgard contrai matrimônio e Elza passa a trabalhar na moradia do novo casal.

Catra possui assim como referência paterna três figuras masculinas: Miguel, Raul e Edgard. É no Pedro II que Catra forma seu primeiro grupo musical, de rock, participando dos saraus da escola. Catra, por sua vez, é menos ambíguo. A grande dife- rença, entretanto, era dada pelo fato de que em dois dias eu partiria para Londres, onde faria o meu doutorado sanduíche, o que de certo modo configurava um desfecho no trabalho de campo. Voltando à história de Mr. Cesar, 1 Mr. Catra e Cesar se tornam bons companheiros.

Que Deus te ampare e nos ilumine. Que o certo prevaleça em nossas vidas e que você ajude ao criador a nos indicar o caminho certo.

Glória Senhor. Em uma blitz que fazia rotineiramente com seu grupamento, um de seus homens identifica um carro com um negro forte, com muitas tatua- gens e colares de ouro, acompanhado de algumas mulheres, como des- creve no filme, indícios que parecem suficientes a Zaconne para que o carro seja interceptado. Ao aproximar-se do veículo, ele conversa com o motorista e percebe que trata-se de Mr. Catra, o fiel. Rocha, no capítulo 4. Wagner, , p.

Branco e negro se opõem aqui para nos falar de huma- nidades distintas. Ao levarmos adiante o estreito nexo existente entre corpo e pessoa, veremos que os mecanis- mos que geram as concepções de personhood em um contexto funk e no universo ameríndio mais se aproximam do que se distanciam.

Como em outras vezes, as mulheres da casa disseram que eu me ausentara por mais tempo do que eu registrara em minhas notas de campo. Antes cumprimentei Tio Rocha, que varria o terreno e abriu seu bonito sorriso ao me saudar.

Cíntia conta que falou em mim nesses dias. Eu pergunto o que fala- ram, e Sílvia, sempre do alto, volta a provocar, dizendo que a amiga falou mal de mim. Cíntia sorriu de novo, desta vez parecendo concordar comigo. Sílvia nota meu interesse pelas garrafas, e comenta como aprecia as bebidas alcoólicas. Sem que eu nada pergunte, Sílvia me explica o que significa cada peça do tal presépio.

As três bonecas, de seios à mostra e corpo mais magro e jovem do que o seu, ou seja, da grande boneca, remetem às muitas parceiras de Catra que passam e pas- saram pela vida dele e com ela. Como ela mesma disse, pertencem ao seu lado. Catra mais jovem carregando ao colo um bebê. Pergunto a Sílvia sobre as bonecas e sua materialidade. Todas as outras bonecas têm a pele em tom de preto ou marrom bem escuro e brilhante.

Ele aparece como o mais negro de todos. Indago sobre a procedência das bonecas; onde ou como Sílvia as teria obtido. Pouco perguntei sobre os bonecos do lado masculino, pois Sílvia mesma, ao dedicar pouco tempo com os mesmos, me levou a isso. E a casa, ainda que espaço do feminino, abriga também os homens. Como em Lévi-Strauss, ao reduzir a escala, Sílvia se permite falar de modo sintético e apreensível da vida que se desenrola ao seu redor.

O objeto feito por Sílvia representa seu mundo e a fractalidade de sua pessoa. Uma delas é de madeira, em tom levemente dourado, e parece ser a imagem de um animal felino.

Eu rio. Acho na verdade curioso que esteja ali uma homena- gem à parente que se apropriou de objetos de Sílvia em sua própria casa.

Verônica, a cadela, de fato se parece com a imagem que Sílvia traz em sua mesa de cabeceira. Verônica conver- teu seus cabelos do preto para o loiro. Os bonequinhos de Sílvia foram convertidos de brancos a negros. Passamos para o andar inferior da casa. Como me dissera mais cedo, arrumava para se distrair. Enquanto ela limpa, vamos todas conversando.

E Sílvia nos faz rir. Sílvia e uma de suas cunhadas acompanharam a menina ao terapeuta. Sílvia continua. Ela continua a contar o que teria desencadeado essa ida ao psicólogo. Sílvia segue por sua narrativa.

Thamyris interpreta de modo diferente. E mais uma vez equivo- cada, pensei que foram de fato escolhas pessoais que fizeram Thamara abdicar de viver com a família de Catra. Em um apartamento vizinho viviam Elza, Raul e Thamyris, que da maternidade foi levada por Elza para a casa do casal, como me contou Raul. Em um terceiro e também adjacente apartamento viviam Sílvia e as primas de Catra, que por sua vez transitava entre as três residências.

Ao início do trabalho de campo, em , Catra dizia ter dezesseis filhos, de modo que se em chegaram mais dois ele teria dezoito descendentes. Conversando com Cíntia, comadre do casal, refazemos as contas. Junto com Silvinha ficamos conhecendo ainda Alan e o pequeno Moises.

Alan hoje vive com o pai, acompanhando-o em seu trabalho e dando início à sua carreira como MC. Cíntia continua a repassar o rol de filhos de Catra. Na tarde em que conheci Raíssa, ela estava na casa da família, com febre, e chorava no colo de Catra, com saudades de seu lar. Pega logo o filho dos outros pra ser seu! Strathern, , p. Dois meses depois Catra perde um filho, de cinco anos, de um câncer que migrou do globo ocular para o córtex.

E ainda fez com que o próprio Catra realizasse o seu desejo, pois sendo ele o pai lhe caberia o dever de fazer o registro. O ritmo da casa era o mesmo. Veste um top bem curto e um short bem baixo, em nylon preto. Achei-a mais jovial. Depois lhe passou bastante óleo corporal e perfume. Sua pele negra ficou reluzente em um vestido branco, sem mangas, com faixa na cintura em xadrez branco e rosa e flores coloridas aplicadas. Se Sílvia procurou garantir a ordem em seu mundo através de algum tipo de volt sorcery, a própria vida tra- tou de produzir seus efeitos sobre o seu objeto de arte.

A colcha de plush que a cobre é estampada por uma grande imagem de um casal de felinos abraçados, aconchegados um ao outro. Um deles é sobre o Comando Vermelho. Catra faz pertence a ele, continua o artista. É ainda em busca do elo com o divino que ele louva a Deus na aber- tura de seus shows. O pre- sente que ele deu pra gente que é o funk, vida loka.

Isso é que eu vivo. Um dinheiro sadio. Que a cultura ocidental é toda manipulada? Leva o homem contra a sua pró- pria natureza Nêgo jura fidelidade perante a Deus!! Que é contra a natureza do animal homem Catra, ou a sua fé em Deus, é por ele atribuída ao fato de Ele tê-lo salvo da vida errada. Saí de alma lavada. Foi do jeito que eu me senti. Mas é bom. Catra acredita que durante todo esse tempo foi enganado. A leitura de Mr.

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O que existe é o-p-o-r-t-u-n-i-d-a-d-e. Um povo próspero é onde todos produzem.

Jesus caôzada é esse bagulho que pre- gam aí. Jesus [com cara de] metrossexual Pois, mesmo passando pela Europa, foi em Israel que encontrou um mundo sem as opressoras hierarquias que guiam as pessoalizadas relações sociais estabelecidas em seu mundo de origem.

As discrimina- ções. É tudo culpa dessa cultura ocidental. O que eu acho legal é como os pais ensinam os filhos a serem indepen- dentes. Catra é vivido de modo particular e em sua esfera doméstica. Poderíamos pensar, junto com Marco Antonio Gonçalves, que Catra, como Jean Rouch, teria se tornado refém de seu próprio perso- nagem Gonçalves, , p. Como os animais, os homens podem e devem ter muitas fêmeas, e a melhor amiga da mulher deveria ser a amante de seu marido, pois ambas querem bem à mesma pessoa.

Catra se justifica ainda através de dados concretos, afir- mando que esta lógica é similar a da favela, ou a de seus chefes. Dessa perspectiva, a estética revela o seu potencial político e conforma poderoso meio de acesso a questões costumeiramente evitadas e referidas de forma velada. As narrativas pessoais de Mr. Catra compôs em hebraico com seu parceiro Sapinho, um judeu branco, nascido na Tijuca, o bairro no qual Catra viveu e que abriga a favela do Borel, território pelo qual ele antes circulou.

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Sapinho hoje vive em Israel e de policial passou a cantor de funk carioca. Catra e MC Sapinho. Catra por meio das canções que exe- cuta. Estamos na passagem de som que antecede ao show que mais tarde Mr. Diferentemente do modo como se apresenta em seus shows — muito adornado por colares, anéis, pulseiras e relógio dourados, algum boné bem grande bordado também frequentemente em dourado, trajando calças jeans amplíssimas, ves- tindo blusas t-shirts e agasalhos fornecidos por seus patrocinadores, em sua maioria marcas associadas ao hip-hop paulistano, e calçando tênis de marcas estrangeiras, preferencialmente Nike, Puma, Adidas ou Reebok, de aspecto muito novo —, ele veste uma bermuda de microfibra estam- pada, sem qualquer marca evidente, um chinelo de dedo branco e verde da marca Havaianas e uma camiseta preta, com as mangas cortadas, da Termas 4x4, localizada no Centro da Cidade e que inspirou uma de suas canções.

Traz ainda um par de óculos de sol sobre a cabeça, também sem marca. Parece recém-saído da praia. Catra como seu componente mais conhecido. Nesse exato momento Vem comigo Em seguida, Mr. Nem no circo tem, nem no circo tem! Naquele local! O MC desata o seu riso final, e o DJ eleva o som das batidas eletrônicas. Catra e Jota ela- boraram um aspecto da vida pregressa dos dois. Jota, por sua vez, ao longo de mui- tos anos foi fiel de uma grande igreja neopentecostal, trabalhando na mesma.

Garantia o seu sustento fazendo exatamente o que fez naquela tarde. Tocando ao teclado. Catra, tem salvado muita gente, mais até do que Jesus. Jota e Mr. Jota, igualmente, sequer cogita a possibilidade de uma vida sem Deus. A ironia permite, assim, que Mr. A história pessoal de Mr. Edward Sapir, , p. Este é com- posto por Dr.

Catra, além de Beto da Caixa que, passado um tempo, se afastou do grupo. Trabalham juntos e em separado, se apresentando em conjunto e mantendo seus trabalhos individuais. Em geral quem me ajudava era Thamyris, com sua voz potente. Rocha, ou simplesmente Felipe, como só Catra o trata. Catra e Dr. Rocha formaram assim uma dupla de MCs, como era moda na época. Catra e Rocha, a despeito das diferenças em suas técnicas corporais, possuem histórias de vida com pontos em comum.

Tanto que ele invadiu tudo. Invade qualquer lugar. E eu gosto disso. Acho legal isso. Podem vir mil barreiras, mas o funk, ele passa por todas essas barreiras. Faz parte do Rio de Janeiro.

Ele mesmo se fixou. Tô aqui. Catra, Dr. Rocha e Jota. Catra, por sua vez, mantém negócios paralelos, o que contribui para que a engrenagem que se articula à sua volta continue em andamento. Ouço os pés que deslizam sobre a pedra brita. O estilo manda que se mantenha o cenho fechado ou indiferente. Passamos pela antessala de piso de pedras. Rocha se junta a eles. Mas logo ele desaparece.

E, como Jota, Kapella teve problemas com a polícia e foi Catra quem os ajudou a deles se desembaraçar. Sua mesa, colocada ao centro da sala de gravações, é uma espécie de centro nervoso do local.

É também deste momento em diante que Jota passa a corresponder aos meus cumprimentos. A pouca riqueza harmônica do funk, como coloca Jota, contrasta ainda com outras de suas manifestações. Vale notar que Bourdieu considera o potencial subversivo que os usos dos bens podem apresentar aos membros da classe traba- lhadora observando um explícito desafio das classes populares ao gosto burguês no âmbito da convivialidade produzida em torno da comida.

O cara capricha na batida de todos os jeitos que ele pode colocar em cima de uma voz, só uma voz. É por este motivo que aquele que canta esta variante de funk rara- mente possui voz apropriada para cantar um melody.

Quando eu vi aquilo, que eu entrei na igreja que eu vi o teclado Vamos dizer Fiquei preso com aquilo ali. Assim, se o con- tatava um grupo de pagode precisando de um tecladista, ele aceitava. Do jazz, do RB [rhythm and blues] contemporâneo. O hip-hop é assim, para Jota, o ritmo dos poderosos. Em qual- quer lugar do Brasil. Catra, por sua vez, é um MC, terminologia que se aplica ao can- tor de funk.

Solta que eu sou o funk. Racionais e MV Bill só?! Marcelo D2?! E os underground? Diferentemente do autor moderno que constrói um texto semanticamente fechado Foucault, ; Barthes, , no funk é a arte enquanto vida que arrasta o artista. Louis Dumont delineia o individualismo ocidental em contraste com o sistema de castas indiano e com as sociedades tradicionais. Eu me pergunto como ele conseguiu fazer aquilo. Mas desta vez tudo deu certo.

Em seguida se mostra furioso. Sílvia saiu e levou a chave de casa. Vou até Guapimirim. Puta que o pariu! Sílvia é mó vacilona. Vai à praia e deixa a porra do tele- fone desligado. O bagulho é daqui a pouco, tenho que trocar de roupa.

A voz de Sandro, de uma potência que só os DJs possuem, me deixa ainda mais descentrada. Mas recobro o prumo. Ficamos ouvindo. O meu amor Tem um jeito manso que é só seu E que me deixa louca Quando me beija a boca minha pele toda fica arrepiada E me beija com calma e fundo até minha alma se sentir beijada, ai [ Entrou com aquele suin- gue novo e juntou naquele beat eletrônico.

E veio para o Brasil. Eu peço a Sandro que grave um para mim também e Kapella pede a Catra que lhe deixe o cigarro que traz entre os dedos. Eu fico com Sandrinho. Sandro começou a dis- cotecar aos quinze anos de idade, e hoje concilia o trabalho com Mr. Catra com a carreira independente que lhe garante sólida presença na Europa. Mas o que se afigura é que a agência do som parece ultrapassar a das palavras. Reproduzo a letra abaixo.

Êta pô!

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Como é que é o bagulho? Do jeito que tem que ser! As palavras e os fraseados valem como mais um som, um instrumento musical. Seria outra pessoa. É assim que majoritariamente produzem inovações na cena funk. O interessante de um sampler é também ele ter sua origem reconhe- cível. O funk, inicialmente dançado em formato de soul na privile- giada Zona Sul do Rio de Janeiro, foi ressignificado nas favelas cariocas. O que define o funk é o BPM. Porque o beat toca sozinho. Você sabe que é funk.

Você vem cantando uma letra sensual, depois entra o beat. É o beat que dita Mr. É preciso se submeter ao seu beat. A gente fazia muita coisa em cima da base dos gringos. Agora a gente tem que criar. E essa que é a melhor, a coisa mais gostosa Mr. Arnd Schneider , interessada mais especificamente nas incorporações feitas por artistas contemporâneos de elementos estrangeiros, condiciona a ativi- dade apropriativa à própria qualidade de otherness, de estrangeirismo, que deveria ter o elemento incorporado.

Foi desta maneira que Beto da Caixa e Catra come- çaram a trabalhar juntos. Beto era compositor, mas era também quem dirigia o carro para Catra fazer seus shows. Passados muitos anos, Beto voltou a trabalhar com Catra, compondo e dirigindo. Muitos dos shows de Mr. Catra acompanhados por mim foram antecedidos ou sucedidos por apresentações de grupos de pagode. O funk, como negócio, cresceu e junto veio a necessidade de transportar mais pessoas.

Mas a ideologia da velocidade, associada ao novo e à tecnologia, permaneceu. Deixa os cara gravar porque ele sabe o que ele vai fazer. Você pegando uma coisa de um, com uma coisa de outro. Acesso em: 26 de agosto de Rocha, ao início deste capítulo. Aí faço uma parada maneira Rocha e Mr. No funk é o seguinte: você faz um som, leva num DJ, se o DJ da favela gostar do teu trabalho, o cara começa a executar na favela.

Rodrigo, o MC Novim, sobrinho de Mr. Veremos, inclusive, que muitas vezes o que se busca é o uso mais explícito possível desse significado. Tampouco é o social que o explica. O contraste entre uma e outra letra, acredito, ilustra bem o ponto que procuro fazer. Catra Este capítulo tem duas ambições fundamentais. Uma delas é trazer para o primeiro plano o artista Mr. Até o momento, o tomamos como mais um dos que compõem a sua rede de relações, seja em seus ambientes doméstico ou artístico.

Em alguns momentos, Mr. Em outros, Mr. Diferentemente de outros artistas funk, Mr. Catra canta MPB, reggae, hip-hop, pop, soul e samba. Este entrelaçar de diferentes gêneros musi- cais se faz presente igualmente em seu cotidiano profissional, através de seu trânsito por distintos universos sociais e estéticos cariocas, nacionais e globais.

Parece ser distintivo do funk uma lógica subversiva que se constrói a partir de uma dinâmica que toma o poder estabelecido oficialmente e o gosto a ele associado de modo contrastivo. Veremos, assim, que juntamente à habilidade de desafiar o outro rival, as oposições, ao invés de reificadas, tornam-se embaralhadas.

Como antecipei, Wagner permite-me avançar em minhas elabora- ções sobre o funk, de uma perspectiva de viés mais sociológico para uma que entendo como sendo mais propriamente antropológica. E foi por este motivo que Mr. Evoluiu do mesmo modo lento, extenso e intenso com que se desenrolou o meu trabalho de campo. Falavam do mesmo mas em outro registro, no registro da arte. É por este motivo que Mr. Vamos traficar cultura Desentoca dessa Marca atividade O negócio é plantar pra colher [Essa parada.

Sem neurose. Isso daí é a realidade do cotidiano. Esta retórica esteve presente nas falas de Mr. Sugiro, entretanto, que esta ideia é fortemente compatível com o universo em que pesquisei. O funk carioca é produto desse ir e vir entre sociedade formal e informal do qual Catra é, nesse sentido, um expoente. Diferentes mas iguais. Além disso, para quem compreende o dialeto próprio às facções, ela discorre explicitamente sobre grupos cri- minosos rivais e seus principais chefes.

Mas estas narrativas descrevem o outro inimigo mais como um rival que estimula a disputa, do que como ameaça disruptiva. Dono de uma voz rouca e melódica, que faz interessante contraste com outras vozes funk, Mr.

Ele canta, Civic Honda [ha, ha, ha] Civic Honda Uísque e Red Bull Catra, Cidinho e Doca. Ele sabia que eu queria conversar e ele mesmo me avisara, em minha chegada, que estava com especial vontade de falar. Pais, muitos deles com suas bicicletas, aguardando a saída de seus filhos de uma escola municipal próxima. Eu disse-lhe que ele precisava falar mais alto, porque ele falava coisas importantes e assim nada seria registrado. Eu me considero funkeiro. É o som que me lançou, foi o som com que me identifiquei, é a cultura que eu alterei, que eu tenho liberdade para mexer.

Do beat, até a dança, até as levadas, até o flow Foi a cultura que me abraçou, que me adotou. E se hoje eu tenho alguma coisa é graças ao funk. É a minha cultura de verdade, porque eu faço do meu jeito, do jeito que eu quero fazer. Do jeito que a minha cultura me aceita. Porque a minha referência no funk sou eu mesmo. Escolhi [o funk] em primeiro lugar porque é o lance mais autêntico pra se fazer. Eu seria alguém. Se eu fosse alguém na cultura do samba, eu seria mais um do samba; do rock, eu seria mais um do rock; do rap, eu seria mais um do rap.

Porque [sendo] playboy, você só é playboy. Catra confunde, subverte os papéis. Foi isto que seu pai Edgard lhe ensinou a fazer, misturas e mediações de um modo que, acredita Catra, é mais próprio ao negro. E foi na escola que montou sua primeira banda, de rock, que se chamou O Beco.

Mais tarde ele formou o grupo de hip-hop O Contexto. Catra e Duda do Borel. Catra, no interior da casa, se postara à janela para acompanhar de longe o desenlace do entrevero, ladeado por Sapinho. Sílvia desce as escadas de seu quarto e, com olhar altivo e certo desdém, passa por nós, sai pelo jardim e desfaz o mal-entendido, enquanto os dois homens olhavam e davam ordens da janela. Catra e de sua família como um todo. O que penso era novidade para a família foi o fato de eu ter vivido alguns anos em Israel, como expliquei em res- posta à pergunta de Sapinho, relatando os lugares por onde morei.

Sai pelo jardim enquanto veste uma t-shirt branca com dizeres em preto, da RapSoulFunk, a empresa que gerencia artistas de hip-hop e funk e com a qual ele tem conexões. Muito louco! Ele, como Primo Preto, é negro e escolheu o Rap, mas veio de família em que conviviam brancos e negros.

Ele refaz a letra com a ajuda de Dr. Rocha, que a reescreve em uma folha de papel, corrigindo a sua métrica. Rocha é uma figura mais fechada, introspectiva. É de alguma maneira o intelectual do grupo, enquanto Catra é o filósofo. Rocha é como o duplo do cantor, cuidando para que as ideias que compartilham sejam passadas do modo que julgam adequado.

O mesmo se deu quando eu conversava a dois com Kapella e em outros momentos. Catra diz a Sapinho que ele precisa rever o teor de sua letra. Pegar quarenta cabaços. Que problema Além de ter problema com mulher a vida inteira, ainda arruma problema depois da morte. Pô, [a pessoa] vai morrê, [ao] invés de pegar quarenta piranha, vai pegar quarenta cabaços?

Por que só você bota essa sua cara horrível ali, cara?

Revista MaisSoma #11 by Luiz Algarra - Issuu

Porra, toda hora abre a porra vem um feioso ali. Só homem no bagulho, mó carona feia. Catra refere-se à imagem que o jovem DJ colocou como o ícone de seu HD na tela do monitor do computador. Eu tô fazendo o esboço do bagulho. Pô, cê quer fazer os bagulho Calma, cara. O Sapinho viaja. Pô, você é muito louco. É demais, parceiro. A putaria apresenta traços de continuidade com o proibido. Além disso, ela retém o elemento transgressor do proibido. Sem contar que a ressonância de um e outro subgênero, proibido e putaria, marcam momentos distintos da trajetória histórica do funk.

Passada a moda dos proi- bidões, o elemento subversivo permanece atuante na putaria. Oi cachorro Quer din din? Pede um X9 pra mim Quer din din? É aí que chega a hora da cultura.

E o funkeiro tem muito disso. O funkeiro curte um som que ninguém imagina. De alguns ele gosta mais, de outros menos, podemos perceber. Chega de funk. Como ele fez antes de parodiar o rock nacional na boate Baronetti, localizada no privilegiado bairro de Ipanema e detentora do ingresso mais caro dentre os locais pelos quais circulei com o artista. Agora chega. Para, para. E evidencia mais uma vez o aspecto englobante do funk. Sabe esses dias que tu acorda de ressaca? Sabe estes dias em que horas dizem nada?

A boneca de Mr. Catra, como a original, traria consigo um imóvel. Catra, ao elaborar sobre o repertório que a cultura lhe oferece, pro- duz o deslize presente no trabalho do bricoleur. Sem jamais completar seu projeto, o bricoleur sempre coloca nele alguma coisa de si Lévi-Strauss, [], p. Contudo, argumento eu, é através das operações miméticas que realiza, bem como do modo como se utiliza do humor e do riso, que ele se mantém coerente com o posicionamento político que veio expressando ao longo da pesquisa e que surge implícito nesta etnografia.

O aspecto político é peça fundamental para se compreender Mr. Para uma síntese a respeito, ver Lagrou b. Para a maneira como o riso acom- panha acontecimentos cotidianos no contexto da favela, ver Goldstein Foi exatamente isso que presenciei quando, ainda ao início do traba- lho de campo, o DJ Edgar, antes de Mr.

E eu acrescentaria, qualquer lógica subvertida. O corpo é sujeito de suas escolhas. Deve-se buscar o significado do objeto de maneira que se entenda por que os objetos se tornam significativos para as pessoas, ao ponto de as pessoas passarem a se identificar com os objetos ou até se indiferencia- rem deles. Os autores sugerem ainda um uso apenas heurístico para o que possamos vir a chamar de coisa. Ao longo de toda a tese, adoto as diferentes perspectivas sobre o objeto material como destacadas acima.

A ferramenta, que Ingold igualmente define como estendendo a capacidade de um agente Ingold, , p. A primeira vez em que notei o seu poder transformador foi em Tina, como chama- rei a moça que trabalhava na casa de Sílvia assim que iniciei meu campo. Sílvia viera me buscar para que fôssemos ao baile do Tuiuti, uma favela na Zona Norte da cidade. Nesta noite ela trajava um vestido vermelho e trazia seus cabelos negros alongados. Eu chegara na casa sem avisar, para mais uma visita.

Os cabelos estiveram todo o tempo presentes, contudo foi em seu uso ambíguo que eles revelaram toda a sua potência. Sílvia, em seu sétimo mês de gravidez, viera dirigindo desde sua casa em Vargem Grande, bairro da Zona Oeste da cidade, e subira apressa- damente as escadas do camarim em busca de um toalete.

Igualmente curto, seu vestido era do tipo tomara que caia e baloné: bufante e esvoaçante, solto no corpo e preso às coxas por uma barra larga, na mesma visco lycra que compu- nha a peça de roupa. Esta malha, fina, fria e mole, era estampada por um motivo abstrato cujo estilo é inspirado nas estampas do designer italiano Emilio Pucci, de ares psicodélicos e hit da moda europeia da década Cíntia, através de suas roupas e cabelos, nos fala sobre sua habilidade em manipular representações.

Quando deseja ou lhe é conveniente se apresenta como funkeira. E quando quer pode também passar por uma jetsetter internacional. Ambas as roupas possuíam o mesmo estilo. O rapaz se aproxima de nós, cumpri- menta a Cíntia, que logo nos deixa. Muitas vezes, como aparece no primeiro capítulo, acompanhei o artista em suas turnês, do começo ao fim da noite.

Em outras ocasiões seguia com Sílvia e suas amigas. Nos pés trazia 5 A marca Osklen inspirou o nome de um grupo de cantores e dançarinos de funk, o Bonde da Oskley. Entendem que o jogo com o nome de sua etiqueta, que remete ainda ao de uma outra marca muito apreciada por funkeiros, a Oakley, indica a incapacidade destes de proferir de forma correta o nome Osklen. Ele vestia uma calça social preta, de pregas e pernas soltas, uma camisa também social, de listras azul e branco, para dentro da calça, sobre uma blusa t-shirt de malha branca, cuja gola careca aparecia pelo colarinho branco da camisa, de punhos também brancos, que estava aberto.

De fora de onde? Eles quem? Os de fora da favela ou os de fora da Zona Sul? Território que é todo ele de Maiquinho e seus pares. Chegamos ao Leblon, e decido seguir pela rota que margeia a praia. Caímos no início da avenida Delfim Moreira. Aprendeu o seu ofício junto com uma amiga, cada uma colocando extensões nos cabelos da outra.

Em cada cabeça coloca-se cinco a seis amarrados de cabelo. O espaço é amplo e parece recém-construído. Catra, concedidas tanto por seu discurso direto quanto por suas performances e letras de isquwiro, e em continuidade com minha pesquisa atual, observar os pontos de contato entre a esfera da festa e a própria vida. Ela foi na minha casa Kr o meu sossego Ficou cheia de marra Depois pediu arrêgo Tremeu de perna bamba.

Although the religious discourse is privileged by Mr. Arte, violência e cotidiano. Catra realiza turnês anuais na Europa. Em alguns momentos os contrastes parecem se sustentar, em outros parecem dissolvidos e em outros ainda parecem fora do lugar. Catra e morador da Favela do Jacaré se dirige a mim perguntando-me o que eu gostaria de fazer.

Vemos também pessoas fantasiadas na platéia. Edgar era o mais exaltado de todos, enquanto Mr. Até o ano decomo foi-me possível observar a partir do trabalho de campo que venho desenvolvendo em torno do funk desdeeste momento propiciava a oportunidade para que muitas moças da platéia subissem ao palco. Manda bala O riso de Sílvia era nervoso, o de Mr. It is the irony itself, so artfully played by the artist, that allows us to realize how the funk is ingenious at, through the laugh, destabilizing the power by a cata manipulation of cultural symbols dear to the oppressive authority.

Jerusalém A melhor noite que tem repete. Vem, vem, vem Ah Se a grafia de algumas palavras, presentes tanto nas letras das canções quanto nas falas dos próprios agentes, parece erradadistante da norma da língua culta, ela corresponde à própria forma de falar daquele que as pronuncia. Mas se a cattra que assume Mr.

A roupa e os adornos corporais foram, assim, tomados a partir de suas qualidades de agência Gell e materialidade Millere das respectivas relações travadas com o corpo e a dança que os suporta.